Comecei a pintar em 2001, com o passar do tempo minhas pinturas (mais recentes no topo da página) se tornaram uma investigação sobre a figura humana e as noções de identidade. Essas pinturas começaram a sempre se iniciar com a silhueta humana como um contorno que define e isola o ser. A figura emergia da matéria pictórica, um corpo-símbolo que carregava em si as primeiras marcas de uma identidade em construção.

Com o tempo, meu processo evoluiu para uma relação mais física e visceral com a tela. A tinta tornou-se mais densa, aplicada em camadas espessas, transformando a pintura em um corpo em si mesmo. Nesta fase, introduzi o fogo como um gesto radical de criação e destruição. As chamas agem sobre a matéria, criando cicatrizes, texturas e transparências, revelando camadas ocultas e inserindo o acaso como parte fundamental do processo.

A expressividade se vê também nas minhas primeiras pinturas (na base da página) eram ingênuas e mostravam minha pouca habilidade na época, e sempre partiam do ponto de observação da paisagem ou de objetos, mas sempre gostei de usar muita tinta sem linhas muito definidas ou traços delicados.